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Com o rápido crescimento da atividade, tornou-se necessário aumentar o número de equipamentos para dar resposta ao volume de encomendas. Consequentemente, a Riopele passou a necessitar de mais recursos hídricos para suprir as suas necessidades produtivas.
Na época, o Rio Pele era uma das principais fontes de captação de água disponíveis. No entanto, dado que a empresa se encontrava inserida numa zona com forte presença industrial — e numa altura em que ainda não existiam infraestruturas adequadas de saneamento e tratamento —, a água do rio deixou de ser compatível com as exigências dos processos produtivos.
Nos anos 80, muito antes de a escassez hídrica se tornar um tema central no debate global, a Riopele tomou uma decisão determinante: construiu a sua própria Estação de Tratamento de Águas (ETA). A medida permitiu tratar a água do rio de acordo com os padrões exigidos pelos processos industriais e marcou uma mudança de paradigma — a água deixou de ser apenas consumida e passou a ser gerida.
Nos anos seguintes, essa gestão tornou-se mais complexa. As alterações climáticas, o aumento da procura por parte da agricultura e da população e a redução do caudal do rio, sobretudo nos meses de verão, tornaram a dependência direta dos recursos naturais cada vez menos sustentável.
Perante este cenário, a empresa iniciou um estudo interno, investindo no tratamento dos efluentes provenientes dos seus próprios processos, e reduzindo progressivamente a captação direta do rio e a dependência dos recursos hídricos naturais.
De onde vem a nossa água?
Atualmente, a maior parte da água utilizada na produção da Riopele provém de captações próprias de águas subterrâneas (furos e poços), da reutilização de água proveniente dos processos produtivos e do aproveitamento de águas pluviais. O recurso à rede pública tornou-se residual — e, nos últimos anos, praticamente desnecessária.
Cerca de 59% da água utilizada é hoje reutilizada, através dos sistemas internos de gestão, tratamento e reaproveitamento. Desde o ano 2000, esta abordagem permitiu recuperar cerca de 10 mil milhões de litros de água — o equivalente ao abastecimento do concelho de Vila Nova de Famalicão durante mais de um ano. Só em 2025, foram reutilizados cerca de 400 milhões de litros, o equivalente a 160 piscinas olímpicas.
Num momento em que Portugal enfrenta fenómenos extremos associados à água — da escassez prolongada às cheias de grande intensidade — torna-se evidente que este recurso nunca foi apenas um dado adquirido. É força, é risco, é equilíbrio. A forma como o gerimos define não apenas a resiliência das comunidades, mas também a sustentabilidade das empresas que dele dependem.
Paralelamente, o investimento contínuo em tecnologia, na otimização dos processos produtivos e em equipamentos de última geração tem reforçado a eficiência hídrica da operação, permitindo reduzir aproximadamente 34% o consumo de água entre 2021 e 2025. Como resultado, o consumo total em 2025 foi cerca de 200 milhões de litros inferior ao registado em 2021.