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2026-02-26

Qual a importância da gestão da água para a Riopele?


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Num período em que a água domina a atualidade — seja pelas cheias no inverno, ou pela escassez no verão — torna-se difícil ignorar a fragilidade do seu equilíbrio. Gerir este recurso é, hoje, uma questão de responsabilidade e visão de longo prazo.

A ligação da Riopele à proteção e ao consumo sustentável da água remonta a 1927, ano em que o visionário José Dias de Oliveira fundou a empresa num pequeno moinho junto às margens do Rio Pele, no norte de Portugal. Nessa altura, dois teares movidos pela força do rio, produziam tecido com base no recurso mais fiável da época: a água corrente. O rio fazia mais do que mover máquinas — deu nome à empresa e ajudou a definir a sua identidade.

Com o rápido crescimento da atividade, tornou-se necessário aumentar o número de equipamentos para dar resposta ao volume de encomendas. Consequentemente, a Riopele passou a necessitar de mais recursos hídricos para suprir as suas necessidades produtivas.

Na época, o Rio Pele era uma das principais fontes de captação de água disponíveis. No entanto, dado que a empresa se encontrava inserida numa zona com forte presença industrial — e numa altura em que ainda não existiam infraestruturas adequadas de saneamento e tratamento —, a água do rio deixou de ser compatível com as exigências dos processos produtivos.

Nos anos 80, muito antes de a escassez hídrica se tornar um tema central no debate global, a Riopele tomou uma decisão determinante: construiu a sua própria Estação de Tratamento de Águas (ETA). A medida permitiu tratar a água do rio de acordo com os padrões exigidos pelos processos industriais e marcou uma mudança de paradigma — a água deixou de ser apenas consumida e passou a ser gerida.

Nos anos seguintes, essa gestão tornou-se mais complexa. As alterações climáticas, o aumento da procura por parte da agricultura e da população e a redução do caudal do rio, sobretudo nos meses de verão, tornaram a dependência direta dos recursos naturais cada vez menos sustentável.

Perante este cenário, a empresa iniciou um estudo interno, investindo no tratamento dos efluentes provenientes dos seus próprios processos, e reduzindo progressivamente a captação direta do rio e a dependência dos recursos hídricos naturais.

De onde vem a nossa água?

Atualmente, a maior parte da água utilizada na produção da Riopele provém de captações próprias de águas subterrâneas (furos e poços), da reutilização de água proveniente dos processos produtivos e do aproveitamento de águas pluviais. O recurso à rede pública tornou-se residual — e, nos últimos anos, praticamente desnecessária.

Cerca de 59% da água utilizada é hoje reutilizada, através dos sistemas internos de gestão, tratamento e reaproveitamento. Desde o ano 2000, esta abordagem permitiu recuperar cerca de 10 mil milhões de litros de água — o equivalente ao abastecimento do concelho de Vila Nova de Famalicão durante mais de um ano. Só em 2025, foram reutilizados cerca de 400 milhões de litros, o equivalente a 160 piscinas olímpicas.

Num momento em que Portugal enfrenta fenómenos extremos associados à água — da escassez prolongada às cheias de grande intensidade — torna-se evidente que este recurso nunca foi apenas um dado adquirido. É força, é risco, é equilíbrio. A forma como o gerimos define não apenas a resiliência das comunidades, mas também a sustentabilidade das empresas que dele dependem.

Paralelamente, o investimento contínuo em tecnologia, na otimização dos processos produtivos e em equipamentos de última geração tem reforçado a eficiência hídrica da operação, permitindo reduzir aproximadamente 34% o consumo de água entre 2021 e 2025. Como resultado, o consumo total em 2025 foi cerca de 200 milhões de litros inferior ao registado em 2021.