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As tarifas impostas pelos Estados Unidos estão no centro desta nova realidade. Ao redesenharem os fluxos do comércio global, forçaram marcas e fornecedores a rever cadeias de abastecimento e modelos de custo, num momento em que o crescimento permanece limitado. As previsões apontam para mais um ano de expansão modesta, com a incerteza macroeconómica a reforçar comportamentos de consumo prudentes e orientados para o valor, tanto nos Estados Unidos como na Europa.
Este contexto tem vindo a favorecer o segmento médio, hoje o mais dinâmico da indústria. . Com um posicionamento intermédio, estas marcas conseguiram responder às expectativas dos consumidores sem acompanhar a escalada de preços que marcou o luxo nos últimos anos. O próprio segmento de luxo entra agora numa fase de reinvenção, procurando recuperar relevância através de maior foco na qualidade, no artesanato e na experiência em loja.
Ao mesmo tempo, o mercado de segunda mão ganha peso em todos os segmentos, afirmando-se como uma porta de entrada para novos públicos e uma ferramenta de fidelização, num setor onde o preço continua a ser uma barreira.
Paralelamente, os consumidores continuam a redefinir prioridades, com uma atenção crescente em relação ao bem-estar — corpo, mente e saúde — abrindo espaço para novas abordagens e áreas adjacentes aos players que operam na indústria da moda.
A tecnologia atravessa todas estas transformações. A IA (Inteligência Artificial) está a alterar não só os processos internos das empresas, mas também a forma como os consumidores descobrem, comparam e escolhem produtos. Modelos de linguagem avançados e agentes digitais começam a assumir um papel central na experiência de compra, num ecossistema em que as respostas geradas por IA se tornam o novo ponto de partida.
Em conjunto, estes movimentos desenham um ano de disrupção controlada: crescimento contido, mudanças estruturais e, para as empresas mais ágeis, oportunidades para redefinir o seu lugar numa indústria em plena transformação.
Indústria Têxtil
Se a moda aprende a viver com a mudança, a indústria têxtil enfrenta um teste mais estrutural. Em 2026, a pressão sobre custos, volumes e margens intensifica-se, num contexto de concorrência global cada vez mais agressiva.
A saída de parte relevante do procurement espanhol do nearshoring é um sinal claro dessa reconfiguração. A concorrência asiática mantém-se forte, enquanto as encomendas tendem a diminuir em volume e os preços permanecem sob pressão, agravados por um enquadramento regulatório incerto e por decisões adiadas em matéria de sustentabilidade.
Neste cenário, as empresas do setor tornam-se mais defensivas na gestão de compras, colocando fornecedores em concorrência direta. Ao mesmo tempo, o marketing e a comunicação assumem um papel estratégico crescente, com colaborações pensadas não como visibilidade, mas como criação de valor real para o cliente.
Mais do que um ano de crescimento, 2026 será um ano de resistência e reposicionamento — um período em que as decisões tomadas hoje poderão definir a relevância do setor na próxima década.