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2025-11-27

"A chave para a Ásia? Produtos inovadores e construir relação"


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Há mais de uma década na Riopele, Gustavo Marques começou por liderar a Comunicação Empresarial da empresa, antes de assumir há dois anos a gestão do mercado asiático, consolidando a presença da Riopele neste mercado estratégico. Descreve a Ásia como um ‘desafio fascinante’, onde tecnologia, escala e sensibilidade cultural se cruzam diariamente. ‘Aqui, a relação conta tanto como o produto. Estar presente, acompanhar, criar confiança — isso molda tudo’, refere. Para ele, contribuir para o crescimento e relevância da Riopele num mercado tão diverso e exigente é uma experiência transformadora, tanto profissional como pessoal.

 

Como é que a Riopele procura afirmar-se e diferenciar-se no competitivo mercado têxtil asiático?

 Na Ásia, destacar-se vai muito além do preço. Os clientes valorizam sobretudo diferenciação de produto, que é o foco da nossa estratégia. Essa diferenciação assenta em três pilares: qualidade, inovação e antecipação de tendências. É essa combinação que nos permite não apenas entrar, mas conquistar relevância num dos mercados têxteis mais competitivos do mundo.

Mas num mercado tão complexo como o asiático, a dimensão relacional também é central. Qual é o peso das relações para consolidar essa diferenciação?

 A chave para a Ásia? Produtos inovadores e construir relação. Na Ásia, o produto pode abrir portas, mas é relação que permite aprofundar oportunidades. Por isso, posicionamo-nos como parceiros estratégicos, com visão de longo prazo e relações baseadas em confiança, consistência e proximidade. Compreender a cultura, acompanhar os ritmos locais, garantir estabilidade e estar verdadeiramente presente é tão determinante quanto o produto. No fundo, o mercado valoriza tanto o ‘como’ trabalhamos quanto o ‘que’ entregamos.

 

Quais são hoje os principais desafios de operar num mercado tão vasto e diverso?

Um dos maiores desafios de operar na Ásia é adaptar a oferta às especificidades de cada país, sem perder a coerência da marca Riopele. Cada mercado é muito distinto: o que vende na China nem sempre funciona na Coreia do Sul, e o Japão tem dinâmicas próprias de compra. O nosso trabalho consiste em ajustar a proposta de valor localmente, mantendo sempre os pilares estratégicos da empresa.

 

E como é que a Riopele consegue diferenciar-se e ganhar espaço num país como a China, onde existe concorrência numerosa e onde ainda persiste a ideia de produção barata e de pouca qualidade?

A indústria têxtil chinesa é altamente automatizada e tecnicamente avançada, com padrões de qualidade muitas vezes superiores aos europeus. Vender na China é, por isso, um grande desafio: a concorrência combina escala, tecnologia e capacidade de execução impressionantes. A Riopele distingue-se por acompanhar essas dimensões, ao mesmo tempo em que antecipa tendências, desenvolvendo o produto certo no momento certo e apresentando-o antes da concorrência local. É essa capacidade de ler o mercado e criar rapidamente que nos permite ganhar espaço num mercado extremamente competitivo.

A sustentabilidade é um tema em destaque no Ocidente, mas na Ásia ainda não parece ser tão valorizada. Qual é a sua perceção no terreno sobre a sua importância e impacto no setor têxtil?

Na Ásia, a sustentabilidade ainda não tem o mesmo peso que na Europa, mas tem evoluído significativamente nos últimos anos. Na China, os novos planos quinquenais e a legislação governamental determinam práticas industriais mais verdes. No Japão, a abordagem é mais voluntária, com objetivos e roadmaps que as empresas podem adotar, mas sem regulação legal forte. Na Coreia do Sul, leis recentes reforçam a economia circular e a responsabilidade das empresas na gestão dos têxteis. No terreno, a sensibilização dos clientes ainda é limitada, mas esta conjuntura cria uma oportunidade para a Riopele reforçar a sua proposta de valor, combinando inovação, qualidade e sustentabilidade de forma estratégica.

Como tem corrido o ano até agora e quais são as perspetivas para 2026: expansão ou consolidação?

Em 2025, registámos um ano crescimento na Ásia, reforçando parcerias existentes e conquistando novos clientes. Para 2026, antecipamos desafios: a concorrência local continua a ganhar espaço, a volatilidade cambial é um fator a acompanhar e há alguma cautela no consumo. Ainda assim, permanecemos ambiciosos e identificamos oportunidades para manter o crescimento. Este ano, por exemplo, iniciámos ainda contactos com marcas de moda locais em Singapura, abrindo caminho para explorar o Sudeste Asiático e consolidar ainda mais a nossa presença na região.

O que representa, a nível pessoal e profissional, ver a Riopele prestes a celebrar 100 anos de história?

É inspirador fazer parte desta história e ver a Riopele atingir 100 anos, com um legado de resiliência, inovação e visão de futuro — mas também de pessoas. São gerações que acreditaram no valor do trabalho e na capacidade de fazer diferente. A um nível mais profissional, em culturas que valorizam profundamente longevidade e consistência, o facto de a Riopele ter atravessado décadas de transformação torna-se um argumento poderoso. Cria confiança e coloca-nos, desde o primeiro contacto, numa posição de credibilidade decisiva nestas geografias.